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Doença Inflamatória Pélvica (DIP): o que é, causas, sintomas e tratamento

Doença Inflamatória Pélvica (DIP): o que é, causas, sintomas e tratamento

Dores na região pélvica e corrimento vaginal são os principais indícios de Doença Inflamatória Pélvica (DIP), um transtorno que é caracterizado pela entrada e proliferação de bactérias no trato genital da mulher. A DIP atinge órgãos como útero, trompas e ovários, podendo ainda causar complicações como dificuldade para engravidar e infertilidade. Quando diagnosticada e tratada corretamente, a doença tem cura e pode ser controlada. Para entender melhor as causas e sintomas da Doença Inflamatória Pélvica, assim como a melhor forma de tratamento e o que fazer para evitar a infecção, conversamos com o ginecologista Alexandre Pupo Nogueira. Confira a seguir!

 

ISTs estão entre as principais causas da DIP (Doença Inflamatória Pélvica)

 

Geralmente, a Doença Inflamatória Pélvica se desenvolve em função de outras infecções, principalmente as ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis): “As principais causadoras da Doença Inflamatória Pélvica são gonorreia e clamídia. Além da infecção por ureaplasma/mycoplasma, que acaba sendo colocada como uma única situação”, aponta o ginecologista. 

 

A gonorreia é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae e transmitia pela relação sexual sem camisinha. Seus principais sintomas incluem secreção vaginal anormal e dor ao urinar e ao praticar relação sexual. O tratamento da gonorreia geralmente é feito com antibióticos.

 

Já a clamídia é uma infecção provocada pela bactéria Chlamydia trachomatis, que é transmitida para o(a) parceiro(a) pela relação sexual sem proteção. Os sintomas são corrimento amarelado, sangramento fora do período menstrual e/ou durante a relação sexual, dor no baixo ventre e incômodo ao urinar. A doença também é tratada com antibióticos.

 

Além disso, embora com menos frequência, o contato com as bactérias causadoras da DIP também pode acontecer por outros meios, como procedimentos médicos uterinos e até mesmo o parto natural ou um aborto espontâneo e curetagem. 

 

Tendo em vista todas as causas possíveis, a melhor forma de prevenir a Doença Inflamatória Pélvica é manter bons hábitos de higiene e saúde íntima: fazer a limpeza correta da vulva, manter os exames ginecológicos em dia e usar camisinha em todas as relações sexuais. 

 

Veja também: Higiene íntima precisa ser feita todos os dias?

 

Sintomas da DIP incluem corrimento vaginal e dor na região pélvica

 

De acordo com o ginecologista, o sintoma mais comum da Doença Inflamatória Pélvica é a presença de um corrimento vaginal: “Normalmente é um corrimento amarronzado ou um corrimento branco bolhoso”, diz ele. Somado ao corrimento vaginal, a mulher com DIP também costuma sentir uma dor pélvica intensa. “Essa dor pélvica tem a característica de piorar após a menstruação. É diferente, por exemplo, da endometriose, cuja dor antecipa o período menstrual. No caso da DIP, a dor pélvica se exacerba depois da menstruação. Além disso, essa dor normalmente é unilateral (à direita ou à esquerda). Não é tão frequente a presença da DIP com dor bilateral”, esclarece. 

 

Outros sintomas menos habituais, como febre, fadiga e vômitos, também podem vir a acontecer. Portanto, ao notar qualquer um dos sinais mencionados, vale buscar uma avaliação individual com ginecologista. 

 

Veja também: Cólica depois da menstruação: o que pode ser esse sintoma?

 

O diagnóstico da DIP é feito por exame clínico e ultrassom 

 

O diagnóstico da Doença Inflamatória Pélvica se inicia no consultório ginecológico e é confirmado por meio de exames específicos, como a ultrassonografia. “Uma vez reconhecendo os sintomas, é importante realizar um bom exame ginecológico. Neste exame, o médico vai mobilizar (através de toque) o útero, que é um órgão móvel e, normalmente, não dói quando é mobilizado. Quando você tem uma inflamação, a mobilização e palpação do útero se tornam bastante dolorosas”, explica o especialista. 

 

“O útero fica mais amolecido na sua consistência. Em casos mais graves, você pode ter formação de abscesso (pus) na trompa uterina, que ganha o nome de abscesso tubo ovariano. Você percebe, no exame de toque, que a região que está infectada fica mais espessa e muito dolorosa”, continua. “Aí, o médico nota um volume, como se fosse um cisto endurecido que não se mobiliza tão facilmente quanto um cisto de ovário. Isso ajuda o diagnóstico. Depois, você vai fazer um ultrassom para confirmar a presença destas alterações”, esclarece o médico. 

 

Tratamento para Doença Inflamatória Pélvica varia de acordo com estágio da doença

 

Em casos simples, o uso de antibiótico via oral pode ser o suficiente para tratar a Doença Inflamatória Pélvica (DIP). “Se a alteração for leve, sem febre, o tratamento é tomar antibiótico em casa”, orienta doutor Alexandre. 

 

Já em circunstâncias mais graves, pode ser necessário levar o tratamento da DIP para o hospital. “Se houver febre, sinais de abscesso, deve-se introduzir antibiótico endovenoso, feito com acompanhamento médico e com a paciente internada. Quanto ao abscesso tubo ovariano, eventualmente, pode ser preciso drená-lo para remover o pus. Mas, isso, só depois do tratamento com antibiótico conseguir regredir o processo inflamatório”, esclarece. 

 

Infertilidade é a principal complicação da Doença Inflamatória Pélvica

 

As principais complicações da DIP são decorrentes da demora no diagnóstico. Quanto mais tempo a infecção ficar presente no organismo feminino, maiores são as chances de obstrução dos órgãos pélvicos. “A DIP vai ocasionando a formação de aderências que podem causar obstrução na cavidade uterina e nas trompas, o que pode levar a uma perda da reserva ovariana e antecipar a menopausa no futuro”, aponta o médico.

 

“Com a formação de aderências no útero, que nós chamamos de sinéquias, a mulher então passa a ter dificuldade para engravidar e o risco de abortamento aumenta. Se as trompas forem obstruídas, a mulher perde a capacidade de gravidez natural porque o óvulo e o espermatozóide não conseguem mais se encontrar”, explica. 

 

Sendo assim, o principal risco da Doença Inflamatória Pélvica é a infertilidade. É claro que, caso a DIP não seja tratada, o quadro infeccioso pode evoluir e se tornar mais perigosa. “O quadro infeccioso não tratado pode ganhar proporções e se tornar uma septicemia, quando a bactéria consegue atingir a corrente sanguínea e se espalhar pelo corpo. Isso pode levar a quadro grave de choque séptico, necessidade de UTI e, se nada for feito, eventualmente, pode levar à morte”, finaliza. 

 

Busque uma avaliação médica assim que notar qualquer sintoma fora do normal. Quanto antes a DIP for identificada e tratada, melhor! 

 

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Alexandre Pupo Nogueira - ginecologista e obstetra membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, é também mastologista e Membro Titular do Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio Libanês
CRM-SP: 84.414

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