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Coceira na vagina? Entenda o que pode estar acontecendo com sua região íntima

Coceira na vagina? Entenda o que pode estar acontecendo com sua região íntima

A coceira na vagina (mais especificamente na vulva, parte externa da vagina) e coceira na virilha pode ter origem em uma alergia ou infecção vaginal. Segundo o ginecologista Alessandro Scapinelli, o processo inflamatório normalmente é causado por um agente infeccioso (vírus, bactérias, protozoários) ou de algum machucado como arranhão ou queimadura. “Toda vez que existe a inflamação ocorre uma maior concentração de vasos sanguíneos no local. É importante para a defesa do indivíduo, uma vez que muitas células e mediadores químicos serão transportados para a região com o objetivo de combater o agente agressor”, explica o médico.

 

Durante esse processo, o profissional explica que há liberação de histamina que, dentre  outros sintomas, pode causar coceira. “Qualquer agressão que ocorra na vulva ou vagina, independente de ser infecciosa ou não, pode ser acompanhada de coceira. Obviamente, não é normal e coceiras vaginais merecem uma consulta ao ginecologista”, diz Alessandro. Veja algumas causas da coceira na região íntima, consulte seu ginecologista caso o sintoma seja constante e evite remédios caseiros ou banho de assento sem recomendação médica:

 

1. Infecção por fungos
 

 

Uma infecção por fungos acontece geralmente quando o pH vaginal se altera e fica muito ácido. O prurido pode ser intenso e melhora durante o período menstrual. “O sangue alcaliniza a vagina, ou seja, o pH aumenta, e, portanto, a proliferação dos fungos diminui”, explica o ginecologista. E assim a coceira também tende a melhorar, mas passado alguns dias volta tudo de novo. O tratamento geralmente é feito com cremes vaginais, podendo ou não associar a comprimidos por via oral. Anti-histamínicos e anti-inflamatórios podem ser usados, assim como agentes tópicos que possam alcalinizar um pouco o ambiente vaginal.

 

2. Vaginose bacteriana

 

Provocada por bactérias, a vaginose normalmente acontece por conta de desequilíbrio na flora vaginal, deixando o pH vaginal mais alcalino. O especialista explica que o prurido (coceira) pode acontecer, mas é bem menos intenso quando comparado às infecções vaginais por fungos. O sintoma predominante é o odor muito forte na vagina, que é mais acentuado após a relação sexual, já que o esperma tem um pH alcalino que ajuda a proliferar essas bactérias. O tratamento pode ser feito com cremes vaginais associados à comprimidos por via oral.

 

3. Hormônios

 

Segundo o ginecologista, mulheres com deficiência de estrogênio têm secura e irritação vaginal, quadro que muitas vezes é confundido com candidíase (infecção por fungos).  “Neste cenário, a parede vaginal fica fina e fragilizada e a coceira estará presente”, diz. Após o diagnóstico, o tratamento pode ser feito por reposição hormonal, podendo ser tópica ou sistêmica.

 

4. DST

 

Algumas DSTs são assintomáticas, outras provocam corrimentos, normalmente amarelo e/ou esverdeado. Para o médico, a coceira vaginal tem um papel muitas vezes secundário no caso das doenças sexualmente transmissíveis, mas não é ausente. “O tratamento é individualizado para cada tipo de doença e o parceiro obrigatoriamente precisa ser tratado em conjunto”, pontua o profissional.

 

5. Menstruação

 

Segundo o ginecologista, algumas mulheres podem ter alergia ao material do absorvente, o que irá causar coceira na região íntima. Nesse caso, a medida é bem mais simples, trocar por um absorvente com uma cobertura mais suave ou dar preferência por absorventes internos. Além disso, em mulheres que têm o hábito de lavar muitas vezes ao dia a vulva no chuveirinho (para tirar o excesso de sangue) também podem sofrer esse sintoma pelo excesso de sabonete.

 

6. Alergia ao látex presente na camisinha

 

É comum também algumas pessoas terem alergia ao látex presente no material da camisinha, o que pode gerar uma coceira, vermelhidão e irritação local. Nesse caso, existe a opção de trocar por preservativos feitos de poliuretano ou poliisopreno sintético, que foram especialmente desenvolvidos para quem tem sensibilidade ao material original. Verifique na embalagem antes de comprar e, em caso de irritação, consulte seu ginecologista para que ele possa recomendar o medicamento correto.

 

7. Calcinhas de tecido sintético

 

Para quem tem a pele sensível, alguns tipos de tecidos podem causar alergia e irritação, principalmente pelo aumento da produção de suor. Além disso, também tende a atrapalhar a ventilação da região íntima. Na dúvida entre ter ou não, dê preferência por calcinhas de algodão, um tecido natural que permite a circulação do ar livremente. No mais, faça uma boa higiene íntima no banho pelo menos uma vez ao dia para manter a região saudável.

 

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Dr. Alessandro Scapinelli - Ginecologista, membro da SOGESP (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo) e FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia)
CRM:112810-SP

 

Matéria atualizada em: 13/05/2019

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